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Ventos e Marés, ou os Tributo no seu melhor
“Sabe-se lá se é defeito Sabe-se lá se é feitio Ou será do nosso jeito De fazer tudo com brio. ” (Tributo)
Aqui está um trabalho discográfico feito com brio, talento, sensibilidade e bom gosto. Eis uma viagem musical e poética feita a partir da ilha de S. Jorge, mas com rotas que foram traçadas a pensar noutros espaços geográficos. O grupo Tributo existe e resiste há 10 anos. Edá voz e expressão à alma de um povo, recuperando e recriando, de forma contínua, continuada e coerente, toda uma tradição oral com raízes fundas e profundas no cancioneiro açoriano, cantando para exprimir sentimentos, emoções e estados de alma. Em Ventose Marés canta-se, com amplitude e nitidez, a vivência desse povo que, na ilha, sonha o mundo e persegue caminhos de futuro e felicidade. Escute-se, a propósito, Ilha Minha, uma belíssima declaração de amor a S. Jorge, ou Notícias de ti, de profunda expressão lírica. E há uma cantiga de tocante nostalgia, tematicamente sem precedentes entre nós, que me comoveu até às lágrimas: Estudante Ilhéu. Em contraste, temos músicas bem “esgalhadas” e cheias de vivacidade: Pesqueiro incerto, Defeito ou feitio. Aqui também se canta a errância de um povo de muitas partidas e poucos regressos (Vida e Maresia). Porque este disco não dá só conta dos ritos e rituais de um povo marinheiro – é também uma viagem pelos afectos. Aqui se nega o destino, porque, afinal, A Lira não morreu e o “Samacaio navega”. Estamos na presença de música profunda, autêntica e telúrica. Música que deixa de ser portuguesa de expressão açoriana – e passa a ser toada intemporal, universal: Índole do Mar, por exemplo. Saúdo, por isso mesmo, os elementos que compõem o Tributo que cantam e tocam ao ritmo cadenciado das marés – para verbalizar silêncios, quebrar distâncias e afugentar muitas formas de solidão. (Não é impunemente que se é cantor e músico no meio do Atlântico). Saúdo a riqueza melódica, harmónica e rítmica das canções. Saúdo as boas harmonias, as vozes bem timbradas (com apetecíveis modulações e nuances) e o perfeito equilíbrio das mesmas. Saúdo a eficiente e eficaz prestação dos músicos, de apreciáveis recursos. Saúdo a capacidade de invenção e criação do incontornável António Severino. E a todos envio o meu abraço de mar. Continuem a fazer música com “brio”. Saibamos escutar a aventura bem sucedida destes Ventos e Marés, e apreciar este CD de apetecível encanto e inegável qualidade.
Horta, 25 de Julho de 2007 / Victor Rui Dores |
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Dançar com o fumo -[Junho de 2007] Até hoje nenhuma discoteca teve a coragem de reservar mensalmente uma noite de Sábado apenas para não-fumadores. É absurdo mas (ainda) é a realidade: o acto de dançar em público é indissociável do de inalar ar conspurcado com milhares (!) de substâncias cancerígenas, tóxicas e irritantes. Dançar com o fumo é brincar com o fogo. No entanto a nova proposta da Lei Anti-Tabaco, apesar de ter gerações de atraso, atende ainda a interesses comerciais que comprometem a Saúde Pública e permitirá o vício de fumar em estabelecimentos com mais de 100m2 o que propicia o incumprimento da lei numa pista-de-dança que todos partilham e onde, em muitos casos, a ventilação é anedótica ou inexistente! As discotecas e os bares que tanta contrariedade oferecem à nova lei ainda não se aperceberam da quantidade de potenciais clientes que até hoje preferiram permanecer nas suas "tocas" em prol de preservarem a limpeza das suas vias respiratórias e o estado inodoro das suas roupas. Estes estabelecimentos também ainda não vislumbraram um determinado terreno potencial, tão importante como a decoração, o som ou a iluminação, e que até agora permaneceu completamente encoberto pelo fumo: as possibilidades aromáticas que a ausência de cigarros propicia. Até agora a festa foi dos viciados, ingenuamente iludidos de que celebram juventude. Mas dançar é algo salutar e natural que em nada se deveria conjugar com o acto destrutivo de fumar. A adopção de comportamentos e estilos de vida saudáveis é uma sinfonia Europeia que até agora tem sido interrompida por tosse casmurra! João Dalion/daliondolka@clix.pt |
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